domingo, 13 de novembro de 2011

Da Formação dos Médiuns


211.  O escolho com que topa a maioria dos médiuns Principiantes é o de terem
de haver-se com Espíritos inferiores e devem dar-se por felizes quando são apenas
Espíritos levianos. Toda atenção precisam pôr em que tais Espíritos não assumam
predomínio, porquanto, em acontecendo isso, nem sempre lhes será fácil desembaraçar-
se deles. É ponto este de tal modo capital, sobretudo em começo, que, não sendo
tomadas as precauções necessárias, podem perder-se os frutos das mais belas
faculdades.
A primeira condição é colocar-se o médium, com fé sincera, sob a proteção de
Deus e solicitar a assistência do seu anjo de guarda, que é sempre bom, ao passo que os
espíritos familiares, por simpatizarem com as suas boas ou más qualidades, podem ser
levianos ou mesmo maus.
A segunda condição é aplicar-se, com meticuloso cuidado, a reconhecer, por
todos os indícios que a experiência faculta, de que natureza são os primeiros Espíritos
que se comunicam e dos quais manda a prudência sempre se desconfie. Se forem
suspeitos esses indícios, dirigir fervoroso apelo ao seu anjo de guarda e repelir, com
todas as forças, o mau Espírito, provando-lhe que não conseguirá enganar, a fim de que
ele desanime. Por isso é que indispensável se faz o estudo prévio da teoria, para todo
aquele que queira evitar os inconvenientes peculiares à experiência. A este respeito,
instruções muito desenvolvidas se encontram nos capítulos  Da obsessão  e  Da
identidade dos Espíritos. Limitar-nos-emos aqui a dizer que, além da linguagem, podem
considerar-se provas  infalíveis da inferioridade dos Espíritos. todos os sinais, figuras,
emblemas inúteis, ou pueris; toda escrita extravagante, irregular, intencionalmente
torturada, de exageradas dimensões, apresentando formas ridículas e desusadas. A
escrita pode ser muito má, mesmo pouco legível, sem que isso tenha o que quer que seja
de insólito, porquanto é mais questão do médium que do Espírito. Temos visto médiuns
de tal maneira enganados, que medem a superioridade dos Espíritos pelas dimensões das
letras e que ligam grande importância às letras bem talhadas, como se foram letras de
imprensa, puerilidade evidentemente incompatível com uma superioridade real.

Do livro: O Livro dos Médiuns, Allan Kardec

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