segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Associação

          Se o homem pudesse contemplar com os próprios olhos as correntes de
pensamento, reconheceria, de pronto, que todos vivemos em regime de
comunhão, segundo os princípios da afinidade.

          A associação mora em todas as coisas, preside a todos os
acontecimentos e comanda a existência de todos os seres.

          Demócrito, o sábio grego que viveu na Terra muito antes do Cristo,
assevera que “os átomos, invisíveis ao olhar humano, agrupam-se à feição dos
pombos, à cata de comida, formando assim os corpos que conhecemos”.

         Começamos agora a penetrar a essência do microcosmo e, de alguma
sorte, podemos simbolizar, por enquanto, no átomo entregue à nossa
perquirição, um sistema solar em miniatura, no qual o  núcleo desempenha a
função de centro vital e os eletrons a de planetas em movimento gravitativo.

        No plano da Vida Maior, vemos os sóis carregando os mundos na
imensidade, em virtude da interação eletromagnética das forças universais.

        Assim também na vida comum, a alma entra em ressonância com as
correntes mentais em que respiram as almas que se lhe assemelham.
Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos.
É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as
emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, da
nossa faixa de simpatia.

        Estamos invariavelmente atraindo ou repelindo recursos  mentais que se
agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou para o mal, segundo a
direção que escolhemos.

        Em qualquer providência e em qualquer Opinião, somos  sempre a soma
de muitos.

        Expressamos milhares de criaturas e milhares de criaturas nos
expressam.
       O desejo é a alavanca de fosso sentimento, gerando a energia que
consumimos, segundo a nossa vontade.

       Quando nos detemos nos defeitos e faltas dos outros, o espelho de nossa
mente reflete-os, de imediato, como que absorvendo as imagens deprimentes
de que se constituem, Pondo-se nossa imaginação a digerir essa espécie de
alimento, que mais tarde se incorpora aos tecidos sutis de nossa alma. Com o
decurso do tempo nossa alma não raro passa a exprimir, pelo seu veículo de
manifestação o que assimilara fazendoo seja pelo corpo carnal, entre os
homens, seja pelo corpo espiritual de que nos servimos, depois da morte.

      É por esta razão que geralmente os censores do procedimento alheio
acabam praticando as mesmas ações que condenam no próximo, porqüanto,
interessados em descer às minúcias do mal, absorvem-lhe inconscientemente
as emanações, surpreendendo-se, um dia, dominados pelas forças que o
representam.

        Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a sombra maior.
Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo, pode
converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero  de imensas
proporções, a maledicência pode precipitar-nos no vício, tanto quanto a cólera
sistemática nos arrasta, muita vez, aos labirintos da loucura ou às trevas do
crime.

       Pensando, conversando ou trabalhando, a força de nossas idéias, palavras
e atos alcança, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam
as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco, potencial  esse que
tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos, de retorno, as conseqüências
de nossas próprias iniciativas.

       Estejamos, assim, procurando incessantemente o bem, ajudando,
aprendendo, servindo, desculpando e amando, porque,  nessa atitude,
retletiremos os cultivadores da luz, resolvendo, com segurança o nosso problema de companhia.

Do livro: Pensamento e Vida, Francisco Cândido Xavier

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