287 –Numerosos discípulos do Evangelho consideram que o sacrifício do Gólgota não
teria sido completo sem o máximo de dor material para o Mestre Divino. Como
conceituar essa suposição em face da intensidade do sofrimento moral que a cruz lhe
terá oferecido?
-A dor material é um fenômeno como os dos fogos de artifícios, em face dos
legítimos valores espirituais.
Homens do mundo, que morreram por uma idéia, muitas vezes não chegaram a
experimentar a dor física, sentindo apenas a amargura da incompreensão do seu ideal.
Imaginai, pois, o Cristo, que se sacrificou pela Humanidade inteira, e chegareis
a contempla-Lo na imensidão da sua dor espiritual, augusta e indefinível para a nossa
apreciação restrita e singela.
De modo algum poderíamos fazer um estudo psicológico de Jesus,
estabelecendo dados comparativos entre o Senhor e o homem.
Em sua exemplificação divina, faz-se mister considerar, antes de tudo, o seu
amor, a sua humildade, a sua renúncia por toda a Humanidade.
Examinados esses fatores, a dor material teria significação especial para que a
obra cristã ficasse consagrada? A dor espiritual, grande demais para ser
compreendida, não constitui o ponto essencial da sai perfeita renúncia pelos homens?
Nesse particular, contudo, as criaturas humanas prosseguirão discutindo, como
as crianças que somente admitem as realidades da vida de um adulto, quando se lhe
fornece o conhecimento tomando por imagens o cabedal imediato dos seus
brinquedos.
392 –Pode contar um médium, de maneira absoluta, com os seus guias espirituais,
dispensando os estudos?
Os mentores de um médium, por mais dedicados e evoluídos, não lhe poderão
tolher a vontade e nem lhe afastar o coração das lutas indispensáveis da vida, em
cujos benefícios todos os homens resgatam o passado delituoso e obscuros,
conquistando méritos novos.
O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar
em todos os instantes pela sua própria iluminação. Somente desse modo poderá habilitar-se para o desempenho da tarefa que lhe foi confiada, cooperando eficazmente
com os Espíritos sinceros e devotados ao bem e á verdade.
Se um médium espera muito dos seus guias, é lícito que os seus mentores
espirituais muito esperam do seu esforço. E como todo progresso humano, para ser
continuado, não pode prescindir de suas bases já edificadas no espaço, sempre que
possível, criando o hábito de conviver com o espírito luminoso e benefício dos
instrutores da Humanidade, sob a égide de Jesus, sempre vivo no mundo, através dos
seus livros e da sua exemplificação.
O costume de tudo aguardar de um guia pode transformar-se em vício
detestável, infirmando as possibilidades mais preciosas da alma. Chegando-se a esse
desvirtuamento, atinge-se o declive das mistificações e das extravagâncias
doutrinárias, tornando-se o médium preguiçoso e leviano responsável pelo desvio de
sua tarefa sagrada.
Do livro: O Consolador, Francisco Cândido Xavier
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