segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Da Teoria das Manifestações Físicas


VIII. Como pode um Espírito produzir o movimento de um corpo sólido?
"Combinando uma parte do fluido universal com o fluido, próprio àquele efeito,
que o médium emite."
IX. Será com os seus próprios membros, de certo modo solidificados, que os
Espíritos levantam a mesa?
"Esta resposta ainda não te levará até onde desejas. Quando, sob as vossas mãos,
uma mesa se move, o Espírito haure no fluido universal o que é necessário para lhe dar
uma vida factícia. Assim preparada a mesa, o Espírito a atrai e move sob a influência do
fluido que de si mesmo desprende, por efeito da sua vontade. Quando quer pôr em
movimento uma massa por demais pesada para suas forças, chama em seu auxílio outros
Espíritos, cujas condições sejam idênticas às suas. Em virtude da sua natureza etérea, o
Espírito, propriamente dito, não pode atuar sobre a matéria grosseira, sem
intermediário, isto é, sem o elemento que o liga à matéria. Esse elemento, que constitui
o que chamais perispírito, vos faculta a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem
material. Julgo ter-me explicado muito claramente, para ser compreendido."
NOTA. Chamamos  a atenção para a seguinte frase, primeira da resposta acima:
Esta resposta  AINDA   te não levará até onde desejas.

O Espírito compreendera perfeitamente que todas as questões precedentes só haviam
sido formuladas para chegarmos a esta última e alude ao nosso pensamento que. com
efeito, esperava por outra resposta muito diversa, isto é, pela confirmação da idéia que
tínhamos sobre a maneira por que o Espirito obtém o movimento da mesa.

XI. São aptos, todos os Espíritos, a produzir fenômenos deste gênero?
"Os que produzem efeitos desta espécie são sempre Espíritos inferiores, que
ainda se não desprenderam inteiramente de toda a influência material."
XII. Compreendemos que os Espíritos superiores não se ocupam com coisas que
estão muito abaixo deles. Mas, perguntamos se, uma vez que estão mais
desmaterializados, teriam o poder de fazê-lo, dado que o quisessem?
"Os Espíritos superiores têm a força moral, como os outros têm a força física.
Quando precisam desta força, servem-se dos que a possuem. Já não se vos disse que
eles se servem dos Espíritos inferiores, como vós vos servis dos carregadores?"
NOTA. Já foi explicado que a densidade do perispírito, se assim se pode dizer,
varia de acordo com o estado dos mundos. Parece que também varia, em um mesmo
mundo, de indivíduo para indivíduo. Nos Espíritos moralmente adiantados, é mais sutil
e se aproxima da dos Espíritos elevados; nos Espíritos inferiores, ao contrário,
aproxima-se da matéria e é o que faz que os Espíritos de baixa condição conservem por
muito tempo as ilusões da vida terrestre. Esses pensam e obram como se ainda fossem
vivos; experimentam os mesmos desejos e quase que se poderia dizer a mesma
sensualidade. Esta grosseria do perispírito, dando-lhe mais  afinidade  com a matéria,
torna os Espíritos inferiores mais aptos às manifestações físicas. Pela mesma razão é que
um homem de sociedade, habituado aos trabalhos da inteligência, franzino e delicado de
corpo, não pode suspender fardos pesados, como o faz um carregador. Nele, a matéria
é, de certa maneira, menos compacta, menos resistentes os órgãos; há menos fluido nervoso. Sendo o perispírito, para o Espírito, o que o corpo
é para o homem e como à sua maior densidade corresponde menor inferioridade
espiritual, essa densidade substitui no Espírito a força muscular, isto é, dá-lhe, sobre os
fluidos necessários às manifestações, um poder maior do que o de que dispõem aqueles
cuja natureza é mais etérea. Querendo um Espírito elevado produzir tais efeitos, faz o
que entre nós fazem as pessoas delicadas: chama para executá-los um  Espírito do
ofício.

Do livro: O Livro dos Médiuns, Allan Kardec


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